PLP 048 - Advanced - Short story in Lusitania 3

Short story in Portuguese taking place during the Roman invasions. (Part III)

Olá!

Bem vindos ao episódio 48 do Portuguese Lab Podcast.

In this episode you are going to listen to the third and final part of the story that started in last week's episode, the Story in Lusitania, in the Iberian Peninsula in the year 142 BC. 

This is an episode for advanced learners. It's still a good opportunity to expose yourself to the language even if you are a beginner, read the transcript and translation and learn a lot of new vocabulary.

Listen to the episode

 

Story

Ao sair do seu esconderijo para a noite Cúrio olhou em volta. A clareira onde se encontrava o aglomerado de pedras estava silenciosa, banhada pela luz do luar. Após inspirar profundamente, apercebeu-se que do outro lado da clareira uma sombra se desprendia da escuridão das árvores e se dirigia para si.

O romano vinha na sua direção, lentamente, ainda curvado sobre o estômago onde mantinha a sua mão esquerda. Cúrio pensou que não havia maneira de se livrar do maldito soldado romano. Teriam de lutar e um deles acabaria por ficar aqui, por entre as grandes pedras, até ser encontrado por animais nocturnos. O pastor esperava que não tivesse de ser ele próprio a terminar aqui a sua história.

Ficaram frente a frente, cada um deles a estudar as suas hipóteses. Cúrio reparou que algo na mão do soldado reflectia o luar e a certeza de que aquele ainda tinha o gládio gelou-lhe o coração.

 
 
Portuguese Lab Podcast - European Portuguese - 48 - Story in Lusitania 3.jpg
 
 

Um som vindo da esquerda distraiu-os e ambos olharam para a sua origem. Um lobo estava no limiar da clareira e observava-os. “Ótimo,” pensou Cúrio, “Era só o que me faltava. Parece-me que ninguém regressa a casa hoje.”

De modo inesperado o romano falou. O som que escapou da sua boca cortou o silêncio da noite como um trovão - rouco, mas forte. A coruja nas proximidades emitiu um guincho e o lobo deu uma volta e desapareceu na noite.

Um som vindo da esquerda distraiu-os e ambos olharam para a origem do som. Um lobo estava no limiar da clareira e observava-os.

O pastor tentou assimilar o que tinha ouvido momentos antes, e estava certo que não era latim. O soldado romano deu um passo em frente e voltou a falar. Desta vez a sua voz tremeu um pouco, incerto da sua mensagem estar a ser compreendida.

Cúrio olhou para o homem à sua frente pela primeira vez deixando escapar uma sensação de esperança. Tinha agora certeza de que o romano estava a falar a língua dos Vetões, as tribos que habitavam do outro lado das montanhas e que falavam uma língua semelhante à sua!

“Venho de Mirobriga e tenho uma mensagem,” repetiu o romano, que afinal era um vetão.

“Uma mensagem?” perguntou Cúrio. Nenhum dos dois saiu do seu lugar.

“Para Viriato, o líder dos Lusitanos.”

“Para Viriato?”

“Sim, a legião romana aproxima-se e desta vez não vem para perder.”

“A legião romana?” Cúrio parecia um idiota a repetir o que ouvia em formato de pergunta.

“Não temos tempo a perder, temos de unir as nossas tribos.”

“Por que é que não disseste logo!?” exclamou o pastor. Por breves momentos o silêncio abateu-se de novo sobre a clareira.

“Vem!” Desta vez a convicção e o alívio tomaram conta de Cúrio que se lançou em direcção ao vetão e lhe agarrou no braço esquerdo colocando-o sobre os seus ombros. “Vamos ao castro,” afirmou.

Os dois vultos tornaram-se um só na noite ao entrarem pelo caminho aberto pelos javalis.

“Espero que as cabras já tenham voltado para casa. Os lobos andam à caça,” disse ainda Cúrio antes de desaparecerem.

 

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