PLP 047 - Advanced - Short story in Lusitania 2

Short story in Portuguese taking place during the Roman invasions. (Part III)

Olá!

Bem vindos ao episódio 47 do Portuguese Lab Podcast.

Today you are going to listen to the second part of the story that started in last week's episode, the Story in Lusitania, in the Iberian Peninsula, in the year 142 before BC. And guess what, this is not the last part of the story!

This is still an episode for advanced learners, but, like I mentioned previously, it's still a good opportunity to expose yourself to the language even if you are a beginner, read the transcript and translation and learn a lot of new vocabulary.

Listen to the episode

 

Story

Após cinco segundos, que pareceram uma eternidade, Cúrio rodou sobre os calcanhares e lançou-se por entre as giestas sem olhar para trás. Enfiou-se instintivamente pelo estreito trilho aberto por javalis que descia pela serra e nem sentiu as silvas que se iam prendendo nas pernas. Aparentemente o romano tinha-se lançado no seu encalço, pois sentia-o atrás de si.

O final do dia estava cada vez mais próximo e o lusco-fusco instalava-se já pelas montanhas. Tinha de pensar rápido! O romano podia estar ferido, mas parecia decidido a não o deixar escapar. E tinha razões para tal. Assim que Cúrio chegasse ao castro lançaria o alerta e nem um soldado romano, por mais bem treinado que fosse, conseguiria escapar a um grupo de guerreiros lusitanos, que, acima de tudo, conheciam bem a serra.

 
 
Portuguese Lab Podcast - European Portuguese - 47 - Story in Lusitania 2.jpg
 
 

A lua surgiu por detrás dos montes altos mudando a forma das coisas com a sua luz. Cúrio tinha de parar. Se não parasse corria o risco de cair e aí sim, era o fim.

Lembrou-se do aglomerado de rochas graníticas onde por vezes brincava com os seus filhos às escondidas. Conseguia ver a sua silhueta recortada contra o céu não muito longe dali. Sem pensar duas vezes mudou a direcção e, abrandando o passo, escondeu-se silenciosamente debaixo da gigantesca pedra que formava uma reentrância na parte inferior. O seu filho mais velho chamava àquela pedra O Bêbado, já que lhe fazia lembrar um homem com uma grande barriga.

E o silêncio instalou-se. Com os sentidos todos em alerta concentrou-se nos sons da noite que se aproximava. Somente um mocho numa árvore próxima.

Cúrio pensou no seu perseguidor. Se se lembrava corretamente o homem não trazia consigo nem metade dos pertences que um soldado romano geralmente transporta. Não tinha os pilos, as lanças romanas. Não tinha capacete. Não tinha provisões. Talvez tivesse fugido num momento oportuno deixando tudo para trás.

O final do dia estava cada vez mais próximo e o lusco-fusco instalava-se já pelas montanhas. Tinha de pensar rápido!

Talvez por ir ser enviado de volta a Roma por não ter desempenhado funções dentro do que era esperado. Além da humilhação, isso traria consigo castigos pesados. Cúrio começava a acreditar que o homem no seu encalço era um desertor.

Após longos momentos decidiu sair do esconderijo.

 

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