PLP 038 - Advanced - Viagem ao Pico nos Açores

Topic: Trip to Pico island in the Azores

Olá!

Bem vindos ao episódio 38 do Portuguese Lab Podcast.

This is an intermediate/advanced episode and it's a text! I analyzed this text on YouTube and you can watch the video below. 

Listen to the episode

 
 
Portuguese Lab Podcast - European Portuguese - 38 - Trip to Pico - short story.png
 

Text

O ano passado fui aos Açores com um grupo de amigos. Já tinha visitado algumas ilhas, mas nunca tinha ido à ilha do Pico. Como nós sabíamos que a montanha do Pico, um vulcão inativo, era a montanha mais alta de Portugal, decidimos subi-la e ver a vista do topo da cratera.

Nos primeiros dias na ilha passeámos ao longo da costa, mergulhando no mar sempre que apareciam um pontão ou umas escadas. A água era amena, clara e podia-se observar sempre uma enorme variedade de peixes.

Caminhámos ao longo dos muros das antigas vinhas criadas em solo de lava e, claro, tirámos muitas fotografias. No dia em que fomos de carro até à casa da montanha, onde se inicia a subida a pé até à cratera do Pico, o dia estava ótimo. A temperatura estava amena e o céu estava azul.

Na casa da montanha olharam-nos de alto a baixo e perguntaram-nos se não tínhamos calçado mais apropriado. Avisaram-nos que, embora o tempo estivesse bom naquele momento, a previsão era de que ía mudar ao longo do dia.

“Têm a certeza?”, perguntaram-nos. “É que não podem sair do caminho marcado e podem ficar presos por causa do nevoeiro. Se tivermos de chamar um helicóptero para vos salvar fica em mais de 200 euros. E são vocês que pagam!”.

Nós sentiamo-nos confiantes e afirmámos estar conscientes do perigo. Também nos deram um número de telefone para ligar em caso de urgência. O interessante é que os telemóveis só teriam rede no topo da montanha, portanto seria importante conseguir lá chegar em caso de necessidade...

A caminhada começou bem, com muito entusiasmo, a ver os túneis de lava petrificada que descem ao longo da montanha. Passou por nós um caminheiro a descer que olhou para nós como se fossemos loucos. Aparentemente ele era mais consciente do que nós.

A meio caminho o tempo mudou, e um nevoeiro veloz, cerrado e gelado começou a cortar-nos o caminho. Por diversas vezes tivemos de esperar alguns minutos antes de poder pôr um pé em frente. A situação piorou quando veio a chuva e o vento forte.

A meio caminho o tempo mudou, e um nevoeiro veloz, cerrado e gelado começou a cortar-nos o caminho. Por diversas vezes tivémos de esperar alguns minutos antes de poder pôr um pé em frente. A situação piorou quando veio a chuva e o vento forte.

Quando chegámos à cratera eu ía de gatas, com a roupa encharcada, sem sentir a mão que segurava o meu bastão de caminhada.

Não vimos a bela vista do topo porque era impossível ver alguma coisa naquele momento, mas lembro-me de que a cratera me parecia um planeta árido e sem cores a ser fustigado pela maior tempestade de todos os tempos.

Acho que até hoje ninguém conseguiu descer o Pico tão rápido como nós. Ia caindo várias vezes, mas, por incrível que pareça, só caí a entrar para o carro quando já estava em terreno estável.

De volta à base da ilha do Pico o dia estava lindo, a montanha não se via, envolta num manto de nuvens. No dia seguinte ninguém se conseguia mexer. Tínhamos de descer escadas sentados!

Por isso passámos o resto do tempo a observar o mar e a comer lapas. Bem bom! Foram umas belas férias na ilha do Pico, a ilha dos extremos!

+ English translation

Last year I went to the Azores with a group of friends. I had already visited some islands, but I had never been to Pico Island. As we knew that the Pico mountain, an inactive volcano, was the highest mountain in Portugal, we decided to climb it and see the view from the top of the crater.

In the first days on the island we strolled along the coast, plunging into the sea whenever a pontoon or stairs appeared. The water was mild, clear and one could always observe a huge variety of fish. We walked along the walls of the old vineyards created in lava soil, and of course we took many photographs. The day we drove to the mountain house, where one starts walking up to the Pico crater, the day was great. The temperature was mild and the sky was blue. At the mountain house they looked us up and down and asked us if we did not have more appropriate footwear. They warned us that, although the weather was good at the time, it was expected to change over the course of the day.

"Are you sure?", they asked us. "You can’t leave the marked path and you can get stuck because of the fog. If we have to call a helicopter to save you it’s over 200 Euros. And it's you who pay!"

We felt confident and claimed to be aware of the danger. They also gave us a phone number to call in case of an emergency. The interesting thing is that mobile phones would only have network at the top of the mountain, so it would be important to get there if necessary... The walk began well, with a lot of enthusiasm, seeing the tunnels of petrified lava that descend along the mountain. A descending walker passed us who looked at us as if we were crazy. Apparently he was more conscious than us.

Halfway through, time changed, and a swift, cold, frosty fog began to cut us off. For several times we had to wait a few minutes before being able to put one foot forward. The situation worsened when the rain and the strong wind came. When we got to the crater, I was crawling, with my clothes drenched, not feeling the hand that held my walking stick.

We did not see the beautiful view from the top because it was impossible to see anything at that moment, but I remember that the crater looked to me like an arid, colorless planet being whipped by the greatest storm of all time.

I think until today no one has been able to descend Pico as fast as we did. I almost fell several times, but, as incredible as it may seem, I only fell going into the car when I was already on stable ground.

Back at the base of the island of Pico, the day was beautiful, the mountain could not be seen, wrapped in a blanket of clouds. The next day no one could move. We had to go down stairs sitting! So we spent the rest of the time watching the sea and eating limpets. Really good! It was a beautiful holiday on the island of Pico, the island of extremes!

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